Pequim utiliza inteligência artificial para levar a medicina tradicional chinesa para o futuro.

Com bilhões em investimentos, novas tecnologias ampliam o acesso, impulsionam a pesquisa e modernizam diagnósticos, mas pacientes e especialistas reforçam que a IA ainda não substitui o olhar humano.

A China está usando inteligência artificial para modernizar e expandir a Medicina Chinesa, com forte apoio do governo e grandes investimentos. Clínicas já utilizam leitores automatizados de língua e pulso, sistemas de diagnóstico por IA, robôs para acupuntura e plataformas digitais de apoio ao atendimento. Essa transformação acontece em um país onde a Medicina Chinesa atende mais de 1 bilhão de pessoas por ano, mas enfrenta desafios como a escassez de profissionais — em 2022, havia apenas 0,75 praticante para cada 10 mil habitantes.

Para enfrentar esse cenário, desde 2012 o governo lançou quase 30 políticas voltadas ao setor e, em 2024, o financiamento público ultrapassou 22 bilhões de yuans (cerca de US$ 3 bilhões). Como resultado, hospitais, universidades e institutos de pesquisa passaram a investir em inovação e infraestrutura tecnológica, acelerando a integração da IA aos serviços de saúde.

Na área científica, mais de 1.200 plataformas de pesquisa foram criadas em diferentes províncias, utilizando IA, big data, sequenciamento genético e análises químicas para estudar os compostos da Medicina Chinesa em nível molecular. Esses avanços ajudam a melhorar a padronização dos tratamentos, a compreender melhor seus efeitos e a aproximar essa prática de métodos científicos modernos.

A tecnologia também chegou ao público por meio de aplicativos, sistemas educacionais e dispositivos vestíveis, ampliando o acesso e atraindo usuários mais jovens, inclusive fora da China. O governo criou cerca de 30 centros no exterior e firmou acordos com mais de 40 países e organizações, inserindo a Medicina Chinesa em sua estratégia de expansão internacional na área da saúde.

Apesar dos avanços, especialistas afirmam que a IA deve ser apenas uma ferramenta de apoio, já que muitos diagnósticos dependem de avaliação humana e do contexto individual do paciente. Essa cautela aparece na fala de Xinmin Han, usuária em Suzhou, que disse: “ainda prefiro consultar um médico de verdade — alguém que possa verificar meu pulso, observar minha pele e me avaliar de forma mais holística”, mostrando que a confiança no contato humano continua essencial.