Ano do Cavalo de Fogo 2026
O Ano Novo Chinês de 2026 marca o início do Ano do Cavalo de Fogo, um período que se estenderá de 17 de fevereiro de 2026 a 5 de fevereiro de 2027, segundo o calendário lunar tradicional.
No zodíaco chinês, o ciclo de 12 animais (Shēngxiào, 生肖) combina-se com os Cinco Movimentos (Wǔxíng, 五行) — Madeira, Fogo, Terra, Metal e Água — para formar um ciclo maior de 60 anos, conhecido como Gānzhī (干支). O Cavalo de Fogo representa a combinação do signo do Cavalo (Mǎ, 马) com o elemento Fogo (Huǒ, 火), uma configuração que ocorre a cada 60 anos e é associada a energias dinâmicas, transformadoras e intensas. Este artigo explora a história dessa configuração zodiacal, suas raízes culturais e as características gerais que definem o ano, sem entrar em previsões personalizadas por signo, focando no impacto coletivo e simbólico.
As Origens Históricas do Zodíaco Chinês e o Signo do Cavalo
As raízes do zodíaco chinês remontam a mais de 2.000 anos, com indícios de sua formação durante a dinastia Han (206 a.C. – 220 d.C.), embora lendas o atribuam a épocas mais antigas. Segundo a mitologia popular, o Imperador de Jade (Yù Huáng, 玉皇) organizou uma grande corrida entre animais para determinar a ordem do calendário. O Cavalo, conhecido por sua velocidade e graça, chegou em sétimo lugar, atrás do Dragão e antes da Cabra. Essa lenda reflete valores confucianos e taoistas: o Cavalo simboliza diligência, liberdade e movimento incessante, qualidades que o tornaram um animal reverenciado na cultura chinesa antiga. Na China o cavalo era, antes de tudo, um animal de guerra muito valioso. Nas fazendas o boi ou búfalo eram os animais de trabalho.
O Movimento Fogo, por sua vez, foi integrado ao zodíaco durante a dinastia Zhou (1046–256 a.C.), quando a teoria dos Wǔxíng ganhou proeminência como modelo cosmológico. O Fogo representa expansão, paixão, transformação e luz, mas também risco de queima excessiva se descontrolado. A combinação “Cavalo de Fogo” aparece pela primeira vez em registros astrológicos Han, como no Huainanzi (淮南子, século II a.C.), que associa os Movimentos aos anos para prever ciclos agrícolas e sociais. Anos de Cavalo de Fogo anteriores foram marcados por eventos que trazem temas de inovação rápida, conflitos intensos e renovações sociais.
Historicamente, o zodíaco chinês não era apenas divinatório, mas uma ferramenta para governança. Durante a dinastia Han, imperadores consultavam astrólogos para alinhar políticas com os ciclos zodiacais, acreditando que anos de Fogo intensificavam mudanças. O Cavalo, associado ao sul e ao verão no mapa dos Wǔxíng, simbolizava viagens, comércio e guerras — temas que se manifestaram em expansões territoriais Han, como as campanhas contra os Xiongnu (povo da Ásia central aparentado com os mongóis).
O Simbolismo do Cavalo de Fogo no Contexto Cultural Chinês
No zodíaco, o Cavalo é o sétimo animal, regido pelo elemento Fogo em sua forma yang (陽火, Yáng Huǒ), o que amplifica suas qualidades inatas de velocidade, independência e carisma. O Cavalo representa liberdade, aventura e persistência, mas também impaciência e instabilidade. Quando combinado com o Fogo — que no Wǔxíng corresponde ao Coração, ao verão, à cor vermelha e à direção sul —, surge um ano de energia explosiva: o “Fogo do Cavalo” evoca imagens de um corcel galopando em chamas, simbolizando progresso rápido, mas com potencial para caos se não controlado.
Culturalmente, o Cavalo de Fogo inspira narrativas de transformação. Na literatura chinesa, como no Romance dos Três Reinos (三國演義, Sān Guó Yǎn Yì), que retrata o fim da dinastia Han, cavalos lendários como o Chitu Ma (赤兔馬, Cavalo Lebre Vermelha, devido à sua velocidade) encarnam velocidade e lealdade, qualidades que o Fogo intensifica. Na tradição chinesa, anos de Fogo são vistos como períodos de “queima e renascimento”, onde velhas estruturas são destruídas para dar lugar ao novo, alinhando-se à filosofia taoista do fluxo constante.
Anos anteriores de Cavalo de Fogo ilustram bem esse simbolismo. Em 1906 o mundo viu inovações como o primeiro voo motorizado na Europa por Santos Dumont e a primeira transmissão radiofônica do mundo, em Massachusetts, EUA, eventos que representam o “progresso flamejante”. Também ocorreu o famoso terremoto de São Francisco (EUA), de magnitude 8,0 na escala Richter, e que causou enorme destruição e milhares de vítimas. Na China, a situação política se deteriora, com o poder centralizado nas mãos da Imperatriz-viúva Cixi, revoltas contra os ocidentais e os Manchus que governavam a China levaram posteriormente à Revolução Xinhai, marcando o fim da Dinastia Qing e início da República.
Em 1966, outro Ano do Cavalo de Fogo, começa a Revolução Cultural na China, um período de turbulência social intensa e mudanças radicais, ecoando a energia destrutiva-criativa do Fogo. Nos EUA, Martin Luther King Jr. atinge o auge de seu movimento pelos direitos civis e fim do racismo. No Vietnã, ocorria a Revolta Budista contra as juntas militares que governavam o país e a escalada da Guerra do Vietnã.
Características Gerais do Ano do Cavalo de Fogo em 2026
O Ano do Cavalo de Fogo 2026 é caracterizado por uma energia Yang dominante (Cavalo+Fogo = Yang+Yang), promovendo ação, inovação e movimento coletivo. Astrologicamente, o Cavalo incentiva viagens, comunicações e empreendimentos, enquanto o Fogo adiciona paixão e criatividade, tornando 2026 um ano propício para avanços tecnológicos, artísticos e sociais. Espera-se um foco em sustentabilidade e energia renovável, dado o simbolismo do Fogo como força vital, mas também como recurso finito.
Socialmente, o ano pode trazer maior mobilidade global, com ênfase em migrações, comércio digital e conexões internacionais, refletindo a natureza “viajante” do Cavalo. No entanto, o Fogo yang pode intensificar conflitos, como disputas geopolíticas ou crises ambientais (incêndios, secas), exigindo equilíbrio para evitar excessos. Economicamente, é um período de crescimento rápido, mas volátil, com oportunidades em setores inovadores como IA e energias limpas, alinhando-se à tendência histórica de anos de Fogo em impulsionar revoluções industriais.
No entanto, é bom ter em mente que o Cavalo de Fogo é um ano bastante radical, com propensão a mudanças rápidas ou súbitas e grande potencial desestabilizador. Existe uma enorme quantidade de energia disponível e ela tende a atuar como a água de uma barragem que ruiu. Agir de modo impensado e sem cuidados e o devido planejamento deve ser evitado ao máximo, pois as consequências podem ser rápidas e devastadoras. Muita cautela em todas as ações é a diretriz deste ano dinâmico e perigoso. E se você for do signo de Cavalo, é bom colocar as crinas de molho e ter o dobro de cuidado.
No Taoismo, o ano enfatiza o “wuwei” (無為), convidando a fluir com as mudanças em vez de resistir, como um cavalo galopando com o vento.
Em resumo, o Ano do Cavalo de Fogo de 2026 herda uma história rica de transformação, prometendo um período de dinamismo e renovação, onde a chave é canalizar sua energia flamejante para o progresso e seus objetivos. Como em anos passados, ele nos lembra que o fogo ilumina, mas também consome — por isso equilíbrio é essencial.
Personalidades de Cavalo: Jackie Chan, Greta Thunberg, Paul McCartney, Clint Eastwood, John Travolta, Barbra Streisand, Theodore Roosevelt, Isaac Newton, Silvio Santos, Milton Nascimento, Lima Duarte.
Matéria escrita por:
Gilberto António Silva é Jornalista, Bacharel em Ciências & Humanidades com ênfase em Filosofia, Pós-graduado em Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) e autor de vários livros sobre Taoismo e suas artes. É atual Editor Responsável da Revista Daojia e Editor Executivo da Revista Brasileira de Medicina Chinesa. Site: www.taoismo.org